Todos Somos Pais e Mães

Todos somos transmissores de comportamentos quer queiramos ou não. Podemos ser pais ou mães e automaticamente é mais fácil compreender que transmitimos comportamento aos filhos. Será que quando não se tem filhos, isso deixa de acontecer?

 

A resposta é não. Em todos os instantes estamos a ser observados e controlados. Mesmo em nossas casas, sozinhos, o facto de partilharmos algo pelas redes sociais estamos a transmitir comportamento. Quando estamos a conversar com alguém num café, a passear ou a ir às compras, estamos a transmitir comportamento. Lembro-vos de uma pequena coisa…as crianças andam por ai! Elas vêm, observam, analisam e reproduzem.

 

Fico especialmente interessada quando os pais chegam à consulta com os miúdos e vem aflitos. Aflitos, porque o Rafael disse algo que os deixou completamente desorientados e envergonhados em frente a terceiros. A primeira coisa que fazem é justificar (a mim) que não tiveram nada a ver com o assunto e até falaram entretanto com a educadora, para garantir que também não foi no colégio que o menino ouvido tal coisa. Depois é a minha vez e ai começo. Começo por sorrir e transmitir calma antes de começar a falar (isto faz com que os pais sintam uma lufada de ar fresco e se tornem mais disponíveis para o diálogo):

Calma pais, não há nada com que se preocuparem. Precisam de sentar calmamente e conversar com o vosso filho sobre o que ele disse. É importante compreender onde ele ouviu ou quem lhe disse, mas não precisam entrar em stress. Lembrem-se que as crianças também ouvem, veem, cheiram, falam e provam tal como o adulto. É sobretudo importante estimular a criança ao diálogo e à partilha desde a mais tenra idade. No futuro ajudará a criança a aprender a ser mais critica e poder desenvolver melhor os seus juízos sobre as ações, entre o que está mal e o que está bem. É essencial, o diálogo entre os elementos da família, contudo não se esqueçam que o Rafael não vive numa bolha actimel protegido de tudo e todos e, excluído do mundo. 

 

Tudo à volta das crianças é um estimulo, esse estimulo pode ser positivo ou negativo. Todos somos pais e mães, somos exemplo quer gostemos mais ou menos da ideia. Porque somos mais velhos, somos adultos e, em principio dotados de maior experiência, promovendo na criança o comportamento de “seguir”e “copiar” tudo aquilo que recebem de nós, mesmo que não seja de forma direta e consciente a nossa intenção de dirigir a informação para elas. Cabe aos verdadeiros pais, promover a compreensão da diferença entre o bem e o mal. No entanto, não é preciso ter-se um filho para transmitir valores sobre a sociedade. Em cada um de nós cabe essa responsabilidade (para o bem e para o mal).

 

“Nada é tão contagioso como o exemplo.”

François De La Rochefoucauld

FC.

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