“Preso na História”: Porque Ficamos Presos no Passado?

É comum sentirmos que estamos de alguma forma presos ao passado, não só pelos erros que poderemos ter feito, mas sobretudo, pelo fato de sentirmos medo de correr alguns riscos e avançar.

Amy Morin no seu livro “13 Coisas Que As Pessoas Mentalmente Fortes Não Fazem” fala-nos de alguns pensamentos que nos podem atravessar pela cabeça, quando passamos demasiado tempo a pensar sobre o que aconteceu na nossa vida. Selecionei algumas das suas ideias:

>>Despende muito tempo a perguntar-se como a vida poderia ter sido se tivesse escolhido um caminho diferente;

>>Por vezes, sente que os melhores dias da sua vida já ficaram para trás;

>>Revê mentalmente memórias passadas, como a cena de um filme, vezes sem conta;

>>Castiga-se ou convence-se de que não merece ser feliz.

É certo que por vezes é necessário fazermos alguma autoavaliação do rumo que estamos a levar e que escolhemos seguir, porém quando essa autoavaliação é demasiado crítica, impedindo-nos de olhar também para as partes boas, corremos um elevado risco de passarmos a agir em modo “autodestruição”. Aquilo a que muitas vezes comparamos como o boicote a nós mesmos, ou seja, aos nossos valores e princípios de vida.

Passar demasiado tempo com pensamentos irracionais sobre o que poderia ter sido e o que poderia ter feito, transporta a energia não para o presente nem para uma visão de futuro, mas sim, para andarmos numa espiral no passado que muito dificilmente conseguiremos sair dela se não pararmos para mudar de atitude.

Se é assim tão errado e tão mau passarmos o presente a pensar sobre o passado e como a nossa vida podia ter sido muito diferente, porque temos esta tendência para que isso aconteça tão naturalmente que nem sempre nos damos conta disso?

Muitos dos pensamentos sobre o passado, sobre a nossa história podem surgir a um nível inconsciente e camuflado de certa maneira, o que faz com que nem sempre nos lembremos que estamos a agir (ou a não agir…) porque temos receio de repetir a experiência do passado.

As emoções são uma das principais causas de os acontecimentos do passado parecerem tão poderosos e tão difíceis de superar. A causa advém do fato das emoções, como a culpa, a raiva, a revolta, a vergonha estarem presentes. Por vezes, lá bem no fundo…o sentimento que temos é que nunca vamos ser felizes ou nunca vamos poder viver uma vida sem essa constante lembrança do passado.

Se tivermos experienciado momentos no passado que foram muito positivos e por isso, muito importantes para nós, podemos ter a falsa perceção que só naquela altura éramos felizes e a vida do presente é, ou será sempre, insatisfatória. Porém isso acontece porque deixamos uma coisa extremamente importante de lado, as nossas intenções, por vezes até os nossos desejos. Ficamos tão presos a essa ideia que deixamos de viver o momento presente, assim como, perdemos a vontade de procurar, através dele, tirar o melhor partido possível da situação atual.

Mesmo que possamos afirmar que isso não é verdade, às vezes acontece estarmos a fazer algo, mas a nossa cabeça estar a vaguear pelo passado.

Outra importante ideia que devemos compreender está relacionada com a tendência natural que temos para fazer comparações. Quando comparamos o presente sistematicamente com o passado e, se esse passado foi de fato muito bom para nós, nunca nos vamos sentir satisfeitos com nada que possa acontecer na atualidade.

Ficar preso no passado, naquilo que tem sido a nossa história dá-nos igualmente uma sensação de segurança. “Se eu avançar não sei como vai correr, então tenho medo de seguir em frente…talvez tomar algumas decisões e falhar. Não quero sentir que falhei novamente, pois não quero passar por essa sensação novamente”. Todas estas ideias são legitimas e compreensíveis, contudo nas palavras de Albert Einstein “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” e isso porque, todas as decisões que tomamos vão influenciar o nosso pensamentos, as nossas ideias e com elas formar novas hipóteses.

Ruminar sobre o passado não faz com que ele mude. Estamos sobretudo a desperdiçar tempo precioso agora e que terá uma grande influencia no futuro. Então, o que posso fazer para me libertar desta tendência para estar sempre a pensar na vida que levei, nos acontecimentos do passado?

>>Estabelecer objetivos concretos para o futuro: pode ajudar traçarmos metas simples a atingir a curto prazo (daqui a 3 meses), a médio prazo (daqui a 6 meses) e a longo prazo (daqui a 12 meses);

>>Ocupar a cabeça com coisas que nos trazem pensamentos positivos: iniciar um curso, aprender uma nova língua, aprender uma nova receita, ler um livro, fazer atividade física, estar com amigos, planear as férias, por exemplo;

>>Concentrar as suas ideias em factos, em vez de emoções: esta diferenciação ajuda a sermos mais claros, concisos e objetivos na tomada de decisões;

>>Aceitar que o passado aconteceu e que não há nada que possa fazer para o mudar: mas pode construir a partir deste preciso instante o seu presente e o seu futuro;

>>Dedique o seu tempo a pessoas que lhe trazem o bem, que fazem despertar o melhor de si, lhe trazem alegria e boa disposição: afaste-se de pessoas toxicas, melancólicas e que estão constantemente a falar sobre o que aconteceu de mais negativo;

>>Aprenda com as lições do seu passado: podemos sempre voltar a correr o risco de cometer erros semelhantes se não tivermos tempo para retirar alguma aprendizagem deles. Para tal, é preciso autoreflexão (não é o mesmo que ruminar sobre o passado…).

E por último, dê permissão a si mesmo para avançar. Lembre-se que ao longo da vida vamos passar por momentos bons e menos bons, momentos em que a felicidade parece ter ficado para chegar e outros, em que questionamos como fomos lá parar. Porém, a vida é mesmo assim, feita de altos e baixos. Se passar o seu presente agarrado ao passado não vai ter grande oportunidade para melhorar o que estiver a melhorar.

Se necessário procure ajuda de um profissional, por vezes acontecimento traumáticos podem estar a bloquear a sua vontade. Com a ajuda de um profissional pode “deitar cá para fora” o que o incomoda e em conjunto, ajudá-lo a sentir-se melhor e mais capaz para levar a sua vida da forma que a escolher levar.

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