O que É a Dependência Emocional?

A dependência emocional é uma alteração no funcionamento da pessoa, como um espécie de comportamento aditivo em relacionamentos do tipo amoroso.

Nas relações amorosas é natural que exista uma maior proximidade entre as pessoas e que estas procuram estar mais próximas de si, quer fisicamente quer emocionalmente. Contudo, esta ligação deixa de ser saudável quando ela se torna definitivamente obsessiva, tal e qual como nos casos de comportamentos aditivos com substâncias ilícitas ou vicio de jogo, por exemplo.

A situação é de tal modo intensa, que a maioria das pessoas não se apercebe da sua situação real, o que prejudica por vezes amigos e familiares. Estamos a falar sobretudo de situações em que uma pessoa cria uma necessidade descontrolada do outro, para conseguir manter o seu próprio equilíbrio emocional.

Podemos pensar: “mas não vejo mal nenhum nisso”, pois bem. A questão aqui não é o fato da pessoa sentir vontade em estar com outra mas sim, quando essa necessidade afeta o seu próprio equilíbrio, ao ponto da pessoa não ser capaz de viver a sua rotina normal, sem que esta pessoa esteja presente. Não estamos a falar em situações pontuais, estamos aqui a apontar para um padrão disfuncional de comportamento.

Os poucos estudos sobre esta matéria indicam que possivelmente existe uma relação de base com o desenvolvimento do apego na infância (se quiser saber mais pode ler um pouco sobre a Teoria da Vinculação de Bowlby) e que para além dessa possível alteração, existem paralelamente fatores culturais e filogenéticos.

A dependência emocional pode ser melhor entendida como, um padrão crónico de requerimentos afetivos insatisfatórios, que procuram ser atendidos através de relacionamentos interpessoais qualificado por apego patológico. Este apego patológico muitas vezes surge associado a quadros depressivos, ansiedade e alterações alimentares.

Importa ainda referir, que a maioria das pessoas não procura ajuda e as que o fazem, apresentam muitas vezes sentimentos de vergonha e embaraço. Parece que a dependência emocional também está mais ligada às mulheres do que aos homens, talvez pelo fato de em muitos casos, existir também uma dependência económica associada.

Uma vez que a dependência emocional ainda deixa várias dúvidas na sua definição, não se pode afirmar com clara evidencia que esta é uma patologia por si só. Porém, podemos dizer que ela é prejudicial ao normal funcionamento de um casal.

Mecanismos Neurológicos Associados

Uma curiosidade a mencionar é como os mecanismos neurológicos são ativados no caso das relações amorosas. Neste caso, sabe-se um pouco mais: “Observa-se que os sentimentos amorosos utilizam as mesmas vias neurais que substâncias psicoativas, ativando os sistemas de recompensa do cérebro e criando sintomas de dependência similares”.

Portanto, apesar do termo “dependência” ser tradicionalmente ligado ao uso de substâncias ou drogas psicoativas, as dependências de sentimentos ou as Dependências de Relacionamentos também merecem ser objeto de pesquisa e intervenção”.

Tipos de Dependência

Existem quatro tipos de dependência, a dependência motivacional, a afetiva, a comportamental e a cognitiva:

1) Motivacional – refere-se à necessidade de suporte, orientação e aprovação.

2) Afetiva – está relacionado à ansiedade sentida pelo indivíduo diante de situações nas quais ele necessita agir independentemente.

3) Comportamental – alude à tendência a procurar ajuda de outros e de submissão em interações interpessoais.

4) Cognitiva – remete para a perceção da pessoa como impotente e ineficaz.

Para trabalhar a dependência emocional podem ser realizadas intervenções diferentes como a terapia individual, terapia de casal, terapia grupal (grupos de apoio) e livros de autoajuda.

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Bution, D. & Wechsler, A. (2016). Dependência emocional: revisão de literatura. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, Londrina, v. 6, n. 1, p. 77-101.

Cogswell, A., Alloy, L. B., Karpinski, A., & Grant, D. A. (2010). Assessing dependency using self-report and indirect measures: Examining the significance of discrepancies. Journal of Personality Assessment, 92(4), 306-316.

Arntz, A. (2005). Pathological dependency: Distinguishing functional from emotional dependency. Clinical Psychology: Science and Practice, 12(4), 411-416.

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