Porque é que a Incerteza ‘Dá Cabo’ da Cabeça?

Se é como a maioria das pessoas, odeia as incertezas inevitáveis da vida, o que pode causar uma tremenda ansiedade. Vou receber a promoção? Serei aceite na faculdade? Vou conseguir ganhar o prêmio? Qual será o resultado da minha ressonância magnética? Mesmo imaginando para onde vai a estrada sinuosa, mesmo tendo alguma previsão do que possa acontecer, as situações imprevisíveis despertam em nós um medo intenso.

Por quê? Porque incerteza é igual a perigo. Se o nosso cérebro não souber o que está ao virar da esquina, não poderá mantê-lo fora de perigo.

Quando a certeza é questionada, o nosso cérebro de lagarto fica inoperante, chutando-o instantaneamente nas calças na tentativa de estimular a agir e levá-lo à segurança. O chão abaixo de nós abre-se, ameaçando engolirnos ou é o que parece. A nossa serenidade está seriamente comprometida – mas…pelo menos sentimo-nos suficientemente seguros, certo?

O Poder da Certeza

Esperar pela certeza pode parecer tortura por um milhão de pequenos cortes. Às vezes, o cérebro prefere conhecer um resultado de uma maneira ou de outra para aliviar a situação. Os estudos mostram que ficamos mais calmos antecipando a dor do que antecipando a incerteza, porque a dor é certa (e a incerteza…não).

A incerteza no mundo laboral, por exemplo, afeta mais a nossa saúde do que realmente perder o emprego. As estatísticas também mostram que é mais provável manter a resistência para continuar a correr riscos após um acidente de carro do que após uma série de contratempos psicológicos.

Também num estudo britânico que pretendia compreender de que modo as pessoas reagiam ao saberem antecipadamente que iam sofrer um choque elétrico, os investigadores descobriram que os participantes que sabiam com certeza que receberiam um choque elétrico doloroso se sentiam mais calmos e menos agitados do que aqueles que foram informados de que tinham apenas 50% de probabilidade de sofrer o choque elétrico, curioso não é?

Como um Poderoso Scanner

O cérebro está constantemente a analisar e a processar o que se passa ao nosso redor, o objetivo com esta análise é fazer julgamentos sobre o que é ou não é seguro. Constantemente à procura, determina, processa, e faz preocupar. Ele torna-se mais vigilante quando por exemplo conduzimos com trânsito intenso, procuramos o carro no parque de estacionamento do centro comercial onde não é hábito estacionar ou quando nos encontramos numa corrida contra o tempo para fazer cumprir um prazo apertado para entrega de um trabalho.

Estamos por isso na presença de um processo que nunca é desligado. É ativo mesmo quando estamos a dormir, trabalha horas extras em alerta 24/7 por qualquer coisa questionável ou incomum. Quando não consegue assimilar algo de estranho, como um animal ou uma situação nova, desperta medo da sobrevivência, luta ou fuga.

Como um pai superprotetor que guarda uma criança vacilante ou monitora as contas da rede social de um adolescente de mente independente, as sensações do cérebro estão definidas para um alerta máximo. Mas, assim como um pai que se esforça demasiado para ter tudo sobre controlo pode prejudicar o desenvolvimento dessa criança, a hipervigilância do cérebro – não importa quão bem-intencionada – afeta as decisões que tomamos.

Quando se vive num estado amplificado por muito tempo (com as sirenes internas sempre a tocar!) a clareza dos nossos pensamentos é afetada, tornando-os menos objetivos, o que não contribui de todo para o nosso bem-estar e potencial de crescimento.

Devido ao desprezo que tantas vezes damos à incerteza, o cérebro cria todo o tipo de histórias não testadas e aplica-o centenas de vezes por dia sem darmos conta disso. Um amigo não responde a uma mensagem, um colega faz uma careta e usa um certo tom de voz é o suficiente para na análise, o nosso cérebro interpretar que provavelmente é algo contra si, normalmente personaliza a situação em demasia e tira conclusões precipitadas.

Na prática o que a acontece é que o cérebro irá fabricar todos os pensamentos possíveis para transformar a incerteza da situação, numa certeza clara – “é óbvio que se estão a rir de mim!”.

Nem sempre esse scanner interpreta corretamente, somos por isso levados a acreditar que a informação está certa e isso pode-nos roubar alegres momentos da nossa vida.

A Estrada da Incerteza

Não há como negar que a incerteza é certa. Como a morte e os impostos, é uma das poucas coisas com as quais podemos contar na vida. Resistir à incerteza não nos faz livrar dela e também não lhe dá nada com o que contar. O mundo ainda será imprevisível, não importa o quanto se tente fingir o contrário. E, apesar dos melhores esforços, as coisas nem sempre correm conforme planeado

Ao longo da nossa jornada é natural encontrarmos obstáculos inesperados que nos fazem ter receio e uma súbita vontade de nos “escondermos” derivado à incerteza de algo que desconhecemos.

Por outro lado, querer ter tudo sobre controlo para minimizar as incertezas, pode parecer fazer sentido, porém não o vai fazer aprender a gerir as incertezas da vida. O que não controlamos causa-nos muito stress e ansiedade, por isso o primeiro passo é começar por aceitar que determinadas coisas simplesmente, acontecem.

Se a incerteza é inaceitável, apenas estamos a alimentar o medo, o que provavelmente irá terminar numa guerra interna consigo mesmo, acabando por gastar demasiada energia nos argumentos com a vida, em vez de vivê-la.

De uma forma muito simples, para superar a inevitável incerteza da vida é recebê-la de braços abertos e aprender a gerir esses momentos de uma forma clara e sem dramatizações, por isso o controlo sobre as emoções é algo essencial, devemos senti-las mas não nos deixar dominar por elas.

Artigo retirado e adaptado de ‘Why Uncertainty Freaks You Out’

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