Como É que o Afeto Mexe com a Nossa Cabeça?

A cognição (inteligência, raciocínio) sempre foi encarada como a principal fonte de “ser” do ser humano. Quando se pretendeu juntar a cognição ao afeto, a cognição ganhou sempre muito mais peso na tomada de decisões.

Ao longo dos últimos dois séculos, o conceito de afeto e a intenção de afetividade (cuidar do outro), começou a ganhar cada vez mais espaço na literatura, pese embora durante muito tempo a cognição (razão) e o coração (afeto) andassem sempre lado a lado mas vistos como polos opostos, como duas margens distintas.

No presente, sabemos que a esfera afetiva tem um papel de grande importância nas nossas vidas, influenciando o modo como pensamos e por vezes, o modo como nos comportamos. Não é em vão que tanto se tem falado nos programas de competências sociais e emocionais, pois estes estão ligados à importância da relação com o outro, numa proximidade de afeto, atenção e inter-ajuda.

À luz de um olhar simplista, podemos afirmar que o pensamento é o resultado da interferência dinâmica entre a cognição e afetividade.

Nesta lógica, é impossível separar o afeto da cognição, pois elas são “estruturas de um processo único no funcionamento psicológico”. Quando olhamos para cada um de nós, não podemos dizer que somos só “cognição” ou só “coração”, mas sim um resultado das duas partes que podem ser mais próximas de um ou outro polo.

Mas será a equação assim tão simples?

Nas nossas “brigas” diárias temos uma forte tendência para justificar os atos à luz da razão ou do coração. Porém, existem muitas outras componentes numa visão multidimensional do ser humano que influenciam diretamente o funcionamento psicológico e que muitas vezes, nos “esquecemos” como é o caso da componente biológica, social, física e espiritual.

Todas estas componentes funcionam em simultâneo numa correlação entre as partes. Portanto, dizer que somos só razão ou só coração é demasiado redutor. Se mexermos numa das partes, todas as outras, direta ou indiretamente vão sofrer alterações quer sejam positivas ou negativas. É por isso que muitas dos problemas psicológicos podem afetar gravemente o equilíbrio psíquico, através da expressão por via de uma resposta física, por exemplo dores de estômago (ansiedade), perda de peso (depressão).

Idealmente seria benéfico a existência de um equilíbrio único e constante. Contudo, como sistema dinâmico isto é, algo em constante mudança, é necessário realizar ajustes constantes que se dão internamente, através do controlo dos nossos pensamentos, em particular no que toca à criação de crenças e expetativas.

Pinto, F. (s/d). Cognição e afeto: uma primeira visão reflexiva sobre o funcionamento do sujeito psicológico. Revista educação.

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