As Crianças Bicho-Carpinteiro: O PHDA na Escola o que fazer?

As crianças com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) são muitas vezes rotuladas no contexto escolar como crianças mal-educadas, sem disciplina ou aquelas que aparentam um comportamento do tipo “bicho-carpinteiro” por terem dificuldade em permanecer quietas.

Sabemos a grande controvérsia que existe sobre esta perturbação tendo em conta que se espera que cada criança possa mexer-se e ter energia. A grande diferença não está no fato de esta ter «muita energia» mas sim, no fato de essa energia ser prejudicial para si na medida em que afeta significativamente o seu rendimento escolar ou uma atividade social.

Obviamente existem crianças com pouca educação, crianças que manifestam problemas de conduta e de oposição, mas não é esse o tema central de hoje. Existe pois o dever de um diagnóstico cauteloso e que tenha em conta os contextos e a história de vida da criança. É sobretudo neste aspeto que este artigo se pretende debruçar.

O que é o PHDA?

Como é sabido, o PHDA resulta da nomenclatura Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (na tradução Brasileira é dito “transtorno”) e tem por definição “um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento e no desenvolvimento “ (in DSM-V).

Desatenção e/ou Hiperatividade-Impulsividade?

Os sintomas dividem-se em dois grandes blocos, o da desatenção e o da hiperatividade-impulsividade. Tanto um como o outro deve persistir pelo menos por 6 meses, ter impacto negativo e significativo que influencia tanto as suas atividades escolares, como familiares ou sociais.

Estes comportamentos não devem ser interpretados como desafio, oposição ou dificuldades de compreensão de uma tarefa/instrução, é pois uma perturbação dentro da área do neurodesenvolvimento que deverá ter em conta, como referi anteriormente, os contextos onde ocorrem.

Para que se justifique um enquadramento na PHDA é necessário que ocorra em pelo menos dois de três desses contextos: a escola, a família e a esfera social.

Sintomas de Desatenção:

– Deixa passar detalhes por falta de atenção numa tarefa

– Parece não escutar quando alguém fala consigo

– Dificuldade em respeitar instruções até ao fim

– Muita dificuldade para terminar os trabalhos escolares ou outras tarefas por perda de foco

– Dificuldade em organizar tarefas

– Perde constantemente o material escolar

– Tenta evitar tarefas que exijam por maio tempo um esforço mental

– Distrai-se facilmente com estímulos externos

– Esquece-se de cumprir com tarefas de rotina diária

Sintomas de Hiperatividade-Impulsividade:

– Sentado, bate com as mãos na mesa, mexe os pés e contorce-se na cadeira

– Levanta-se várias vezes da cadeira, pois tem dificuldade em permanecer sentado

– Tem tendência para trepar ou subir sobre coisas

– Dificuldade em realizar tarefas de cariz relaxante

– Aparenta “estar ligado à corrente”, apresenta desconforto em situações que tenha de se manter quieto por algum tempo

– É faladora

– Dá uma resposta sem esperar que terminem a pergunta

– Dificuldade em esperar pela sua vez

– Tem tendência para se meter na conversa de outros ou interromper uma conversa ou atividade alheia

 

Considera-se um conjunto de subtipos na PHDA:

Tipo combinado – desatenção e hiperatividade-impulsividade.

Tipo predominantemente desatento – cumpre o preenchimento dos critérios para a desatenção, mas não cumpre na totalidade para hiperatividade-impulsividade.

Tipo predominantemente hiperatividade-impulsividade – cumpre o preenchimento dos critérios para a hiperatividade-impulsividade, mas não cumpre na totalidade para a desatenção.

Rapazes ou Raparigas?

A manifestação de PHDA inicia-se na infância e é expectável que a maioria dos sintomas esteja presente antes dos 12 anos. É mais frequente nos rapazes e está sobretudo relacionado com o rendimento académico e com a rejeição social pelos seus pares.

O Comportamento varia, porquê?

Alguns sintomas variam consoante os contextos e os momentos. Se uma criança estiver sobre clara supervisão ou esteja constantemente a receber recompensas apelativas, é natural que tais comportamentos sejam mais controlados. Quando existem situações novas é também natural que a criança se retraía.

Por outro lado, os tablets e os smartphones por serem muito apelativos do ponto de vista visual, correspondem a um interesse generalista e por isso, a expressão dos comportamentos diminui. No contexto individualizado e controlado verifica-se o mesmo resultado, isto é, a criança apresenta uma tendência para a diminuição da sua agitação motora, por exemplo no âmbito de consulta em espaço de consultório.

Que influência tem sobre outras áreas?

Os sintomas influenciam outras áreas da criança que podem relacionar-se com:

– Dificuldade em respeitar a sua vez ou dar respostas precipitadas que podem fazer com que os seus pares percam a tolerância

– Baixa autoestima

– Dificuldade em cumprir regras

– Desinteresse ou pouca motivação pela escola

– Pouca tolerância à frustração

– Sons ou barulhos desajustados do momento

– Alguma imprevisibilidade

– Dificuldade em adaptar-se a mudanças

– Reações desapropriadas quando provocadas

– Rendimento académico inferior às suas capacidades cognitivas

O Que Fazer na Escola?

A chave para o sucesso requer um ambiente de tranquilidade, uma atenção individualizada e em turma reduzida, contudo sabemos que nem sempre os cenários são perfeitos. Ainda assim, existem algumas coisas que se podem fazer, tais como:

  1. Colocar a criança nas primeiras filas, se possível junto de outra criança mais calma ainda que se deva tomar em atenção a sua influência que poderá provocar (sempre longe da janela e porta).
  2. O material em cima da mesa deve ser o estritamente necessário para cada tarefa.
  3. Evitar estojos muito elaborados.
  4. Em tarefas que exigem maior concentração é importante colocar a criança numa mesa sozinha ou que permita algum afastamento em relação aos colegas, mas que permita uma proximidade visual em relação ao professor.
  5. As regras devem ser reforçadas com clareza e de forma simplificada a cada dia escolar.
  6. As tarefas mais longas devem ser repartidas por tarefas mais pequenas.
  7. Importante o professor ajudar a criança na organização do seu tempo.
  8. Por vezes as crianças com PHDA necessitam da ajuda do professor para organização do seu pensamento.
  9. As instruções para as tarefas devem ser curtas e simples.
  10. Deve existir um reforço positivo regular e concreto. As crianças com PHDA manifestam uma grande resistência para acreditar no elogio que recebem. Pode ajudar ao realizar uma comparação de progresso, isto é «antes só conseguias fazer até aqui. Vê como agora consegues ir até…»

É importante ter presente que as crianças com PHDA não possuem dificuldades de ordem cognitiva, mas a dificuldade que sentem está ao nível do seu rendimento. É por isso pertinente que por vezes se adaptem algumas tarefas, como no caso dos testes, por exemplo possam ter mais tempo para a sua realização e obter a ajuda do professor para ler o enunciado. Normalmente, as crianças obtêm melhores resultados quando dão respostas orais, é por isso importante pensar em formas alternativas de avaliação que se apresentem como realistas.

O Desenvolvimento da Criança é Comprometido?

Ao longo do processo de desenvolvimento o sistema nervoso central vai amadurecendo, pelo que contribui para a diminuição geral dos sintomas. As crianças com PHDA tem tendência a manifestar um desenvolvimento emocional mais frágil e por isso, é necessário uma maior compreensão.

Retenção, Vale a Pena?

Ao longo do percurso escolar é natural a existência de algumas dúvidas quanto à necessidade ou não de reprovar. Este é um tema que gera muita controvérsia pelo que, cada caso deve ser analisado individualmente. O ideal é de fato que a criança transite de ano, no entanto pode existir a necessidade de repensar o percurso escolar.

O Tratamento?

O tratamento de PHDA implica o envolvimento de todos: família, escola e técnicos especializados. Só trabalhando em conjunto é possível obter a melhoria significativa dos sintomas. É por isso uma intervenção multidisciplinar que cruza diferentes saberes e olhares:

– Suporte e compreensão incondicional dos pais

– Acompanhamento psicológico/ psicopedagógico

– Acompanhamento pedopsiquiátrico (com recurso a farmacologia se necessário)

Cabe a cada um de nós fazer o melhor de si, para ajudar cada criança a superar as suas dificuldades. Não nos podemos esquecer que a criança com PHDA está em crescimento e por isso precisará de todo o amor, carinho e compreensão que possamos dar.

É possível realizar um despiste de PHDA, se quiser saber mais entre cm contato, clique aqui.

Adaptado do Guia Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção – Guia para Professores da Associação Portuguesa da Criança Hiperativa

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