Quando a Autoestima é Desvalorizada, Como se Sentem as Crianças?

As crianças são seres que nos envolvem pela sua espontaneidade, pela sua doçura e pela sua simplicidade. Com o mundo a correr a mil à hora, esquecemo-nos por breves momentos que o nosso filho é uma criança e não uma espécie de adulto em ponto pequeno. Lá vai o tempo em que a sociedade olhava para a criança desta forma (infelizmente em alguns lugares do mundo esta premissa ainda é uma espécie de lei universal).

Esperamos que as crianças sejam por isso, neste mundo, seres alegres, cheios de vida, de energia e que venham sujos quando chegam a casa, que nos coloquem questões que nos deixam sem resposta ou que detalhem ao pormenor o que vêm com um olhar, aparentemente mais conhecedor que o nosso.

Mas elas (as crianças), também se sentem muitas vezes colocadas em causa. Existem tantos adultos a tentar educá-la que fica difícil agradar a “gregos e a troianos!” Muitas vezes, sem nos apercebermos, as crianças questionam-se sobre elas próprias. Tentam fazer de tudo para agradar ao adulto, mesmo fazendo coisas que não se sentem confortáveis.

Uma criança que não reconhece as suas capacidades e se foca nas suas dificuldades é uma criança que do ponto de vista emocional, pode estar fragilizada. Uma criança fragilizada poderá ser uma criança mais agressiva, mais desafiante ou por outro lado, uma criança apática que “não arranja problemas”. Em ambos os casos devemos estar cientes que ela precisa de nós, muito mais do que nós precisamos dela.

Temos uma tendência para valorizar a componente física da criança, mas é preciso proteger e alimentar da mesma maneira a saúde mental “não basta dizer que se ama, é preciso demonstrá-lo”. Demonstrar significa que mesmo quando nos chateamos com os nossos filhos, queremos dizer-lhe que erraram mas que apesar disso continuaremos ao seu lado.

Uma criança com uma autoestima suficiente para compreender que terá sempre obstáculos na sua vida e que com o tempo aprenderá a superá-los é uma criança confiante. É uma criança que apesar dos seus medos (todos nós os temos), tenta e tenta mais uma vez. É uma criança que crescerá ciente que a vida por si só não é simples, mas que por isso ela é fonte de felicidade.

Se a criança se desvaloriza, se culpabiliza pelo seus próprios fracassos e atribui ainda, os fracassos dos outros, assumindo como seus, estamos perante uma criança fonte de stress, fonte de inseguranças e fonte de instabilidade emocional.

 Pedir Ajuda

Para algumas crianças é demasiado frustrante e angustiante pedir ajuda. Para elas, pedir ajuda, significa que falharam, que não são capazes. Tem uma tendência para associar o pedido a um momento de fracasso.

A autoestima constrói-se ao longo do tempo, mediante os estímulos recebidos e a interação com diferentes ambientes. No caso das crianças a uto-estima é bastante maleável e depende sobretudo da receção que os outros fazem de si, dos seus comportamentos. Quando se aborda aqui a questão da autoestima é importante entender que a se sobe entende que a criança é capaz de aceitar não só as suas qualidades mas também os seus defeitos. Importa por isso, incentivar a criança a compreender que não existem crianças iguais e que cada um, á sua maneira tem coisas positivas e menos positivas, mas todas elas importantes.

Quando a autoestima é desvalorizada, como se sentem as crianças?

– Insegurança

– Fixação obsessiva nas dificuldades

– baixas espectativas

– Receio em ser-se avaliado

– baixos resultados

– Falta de confiança

– Descrença

E quando a autoestima é valorizada?

– Segurança

– Maior concentração e empenho nas tarefas

– Aumento das expectativas

– Melhores resultados

– Crescimento da autoconfiança

Tal como referi anteriormente, a autoestima não é algo inato, isto é, que nasce connosco, é portanto construída ao longo do crescimento e relação com o mundo à sua volta que a criança vai ser capaz de receber, interpretar e afirmar-se mais ou menos confiante. Nessa lógica, todos nós podemos fazer algumas coisas que possam ajudar a resgatar essa autoestima perdida.

O que podem fazer os pais?

No caso das crianças os pais serão sempre a principal fonte a ter em conta. Se os pais manifestarem uma autoestima negativa, a tendência é que a criança aprenda a assumir essa atitude como sendo sua, mesmo que não a compreenda.

Quando os pais têm uma tendência abrupta para a superproteção das crianças, podem igualmente fomentar um maior desenvolvimento de dificuldade e sentimento de incapacidade para conseguir atingir objetivos. Se os pais protegem a criança dos desafios e na resolução dos seus próprios problemas, a criança vai interpretar que as dificuldades são facilmente superadas, pois não precisa se esforçar para as superar (pois os pais são os grandes “resolutórios” fazendo o trabalho por elas). Mais tarde ao longo da vida, estas crianças vão manifestar uma grande resistência para se esforçarem para atingirem os seus objetivos pois para elas, todos os obstáculos vão ser “demasiado exigentes”, aumentando assim os sentimentos de frustração e ansiedade podendo em consequência levar a uma baixa autoestima.

Posto isto, é importante que os pais incentivem as crianças desde cedo a enfrentarem os seus próprios obstáculos e não desistirem na primeira vez que caírem. Mostrar-lhes que os pais estão presentes mas que não podem fazer o percurso por si, estimulando autonomia, é um pilar muito importante na construção de uma autoestima positiva.

O reforço positivo constante também deve ser utilizado com regularidade. Não devemos reforçar a criança por tudo e por nada, mas cada vez que ela supera um obstáculo, mesmo se for de menor importância para o adulto, para a criança poderá ser um grande conquista. É necessário contudo, demonstrar alguma coerência como a forma como se faz um reforço positivo.

O Educador/Professor também tem a sua cota-parte

Se o seio familiar é considerado o primeiro contexto de socialização para qualquer criança, logo a seguir está o contexto escola, pelo seu cariz social. Neste sentido, o educador/professor tem o dever de funcionar como uma espécie de “extensão” desse sentimento de segurança primário. Não quero dizer com isto que ele substitui, nada disso. Porém, é no contexto escola que se lida (sem a proteção dos pais) com um ambiente diversificado e exigente do ponto de vista das relações.

O educador/professor deve por isso incentivar e proporcionar momentos que privilegiem o contato com outros de forma a que as crianças possam entre si, desenvolver uma necessidade natural de forçar o comportamento positivo, através do reconhecimento de aprendizagens e sobretudo do reconhecimento do outro que para nós é tão relevante. Pode-se assim entender “na criação de condições para que a criança possa, perante os outros, fazer uso das suas capacidades, o contributo do educador revela-se de suprema importância” (Frada, 2015).

Felizmente é possível através do trabalho terapêutico estimular e desenvolver uma autoestima positiva.

Para saber mais, clique aqui.

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