A Família à Beira de Um Ataque de Nervos: Miúdos que Desafiam!

Quando pensamos numa família por norma imaginamos duas pessoas adultas que têm um, dois ou três filhos colocados serenamente para tirar uma fotografia para o álbum de família. Não os imaginamos em stress, não os imaginamos com rotinas complexas, uma verdadeira corrida diária contra o tempo. Entre a pressão profissional e a vida pessoal, resta pouco tempo para ensinar os filhos a serem filhos.

Se pensarmos, muitas das nossas famílias tornam-se permeáveis ao stress diário, desenvolvendo assim sentimos de angústia sobre o papel parental, principalmente quando os pais têm de lidar com o comportamento disfuncional e desajustado dos filhos. Este é um tema controverso, pois se os filhos são assim é porque em parte o sistema familiar se encontra disfuncional, provocando na criança a réplica dos comportamentos que vivência no seu seio familiar.

Sendo a família o primeiro contexto de socialização da criança (a seguir, o contexto escola), podemos estar a afirmar que os comportamentos disfuncionais naquela criança são o resultado da disfuncionalidade total da própria família. Em todo o caso, também podemos mudar a lente e pensar no oposto: uma vez que a criança apresenta um comportamento totalmente desafiante e exigente do ponto de vista psicológico e emocional, provoca no sistema família um grande desgaste e uma exigência constante de ajustamento.

Os estudos revelam que na sua prática parental, as mães diferem dos pais também no seu comportamento, forma de ser e estar. As mães conversam mais com os filhos, expressam mais vezes os seus sentimentos, definem regras e limites com maior clareza e conseguem elogiar um comportamento assertivo do filho com mais facilidade.

Vamos então em primeiro lugar ao cerne da questão: o que é um problema de comportamento?

Os comportamentos podem ocorrer por défice ou por excesso, em cada um dos casos eles influenciam o desenvolvimento e aquisição de competência que em última instância influenciam as aprendizagens e o desenvolvimento da criança de uma maneira global (Bolsoni-Silva e Del Prette, 2003).

De um modo generalista podemos diferenciar dois tipos de comportamentos. Aqueles que ocorrem por uma expressão externa e os que ocorrem internamente à esfera psicológica da pessoa (Del Prette & Del Prette, 2006).

 

Exemplo de comportamentos com expressão externa:

– Agressividade física e verbal

– Comportamentos de oposição ou desafiantes

– Comportamentos antissociais

– Comportamentos de risco (abuso de substâncias: álcool e estupefacientes)

– Isolamento social

 

Exemplo de comportamentos com expressão interna:

– Depressão

– Ansiedade

Os pais não sabem tudo sobre educação e os filhos não são perfeitos, como havíamos explorado há umas semanas atrás no artigo Os Pais Perfeitos Não Existem (e Filhos Perfeitos Também Não). Por serem nossos filhos, quer queiramos ou não, nem sempre é fácil repreender corretamente e principalmente quando as nossas eternas crianças, não são mais crianças de verdade, são jovens com 12, 13, 14 anos. É nos difícil aceitar tudo o que fazem, mas igualmente parte-nos o coração quando se enfurecem, quando estão tristes, aparentam estar stressados ou se isolam drasticamente e até podem ter alguma razão: esquecemo-nos de algo importante que nos contou no dia de ontem ou transmitimos a sensação de não estar a dar a devida atenção a um episódio (importante) que contam à hora do jantar.

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Então, o que estamos a fazer de errado? De repente dá-nos uma sensação de falta de eficiência e controlo. Quando partilhamos histórias com outras pessoas e ouvimos coisas que nos colocam o coração à prova, pensamos “isto eu nunca deixaria que acontecesse com o meu filho” e temos sempre uma crítica fácil de resolução de um problema para a outra pessoa. Mas quando é connosco, é muito difícil admitir que errámos, é difícil admitir para nós, muito menos aos filhos.

Uma criança extremamente agitada no seio da família que nos desafia a toda a hora é sinal que quer energicamente descobrir o porquê das coisas e isso é muito bom. O problema começa quando esses comportamentos são o resultado sistemático de birras, stress entre os filhos, stress entre o casal. Quando a discussão começa por um motivo muito concreto e estendesse facilmente ao ridículo.

Para os pais não é fácil saber gerir a agressividade de um filho, ir à escola inúmeras vezes por recados na caderneta, ou receber inúmeros emails a dizer que mais uma vez a filha respondeu mal à professora e terá uma falta disciplinar. Não é fácil tentar, ainda assim, estabelecer uma boa relação com um filho adolescente que se sente a pior pessoa do mundo e nós não conseguimos fazer nada para mudar isso. Temos dificuldade em acompanhar o seu ritmo, quando damos por eles já estão a entrar no 5º ano, estão a terminar o 11º ano.

Temos uma tendência natural para nos esquecermos que os filhos não são o resultado apenas da soma de duas pessoas, são a construção de um ser humano que aprende diariamente a um ritmo frenético. Costumamos dizer que as crianças são como esponjas, absorvem tudo, muito mais rápido que o adulto. Depois com tanta informação, começam a ter de fazer as suas primeiras escolhas, começam a surgir os conflitos internos, os conflitos externos. Questionam a funcionalidade das coisas e desafiam-nos também com as nossas escolhas.

A pior coisa que um filho nos pode dizer é que não gosta de nós. Mesmo que tentemos desvalorizar as suas palavras elas ficaram sempre na nossa memória. Porque isso faz-nos tocar no ponto mais frágil: será que estamos a ser bons pais? Foi esta a educação que dei ao meu filho(a)?

Uma criança, pode sim, por uma família à beira de um ataque de nervos!

Se quiser colocar alguma questão clique aqui.

Consulta de Aconselhamento Parental, informe-se aqui.

 

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