Como Explicar a Uma Criança Qual o Papel do Psicólogo(a)? 7 Dicas Úteis para Pais sobre a Psicologia com Crianças

Nem sempre é fácil explicar a uma criança que ela necessita ir a um psicólogo(a). A primeira pergunta que imediatamente surge é: O que é um psicólogo? E a tendência é sempre dizer que é um médico, um “doutor”, mas a criança por vezes não se sente doente. Quando o adulto tenta explicar, por norma segue-se um vasto conjunto de outras interrogações, o que deixa o adulto “em cheque” pois ele não demonstra ser coerente no seu discurso.

Como é que um adulto pode explicar a uma criança que ela irá estar com o(a) psicólogo(a), quando o próprio tem dificuldade em explicar o seu trabalho? Não é o mesmo de dizer que se tem um problema no coração e se vai ao “médico do coração”, que se vê mal e por isso se vai ao “médico dos olhos”, se tiver um dente estragado vai ao “médico dos dentes” ou até mesmo explicar o que é um professor? Em princípio as crianças sabem que é “aquele que ensina”.

 Bom então, este artigo é para deixar todos os adultos mais capacitados quando tiverem de explicar à criança que irá ter uma consulta com o(a) psicóloga e o que deve informar sobre o seu papel profissional.

Em primeiro lugar: é importante desmistificar que o psicólogo(a) pode não aparecer de bata branca como acontece com a maioria dos profissionais ligados à área da saúde. Isso pode acontecer se se tiver no contexto hospitalar, mas raramente acontece em contexto de clínica privada. Raramente, não quer dizer que NUNCA possa ocorrer. Existem ainda alguns locais mais tradicionais, onde isso acontece pela questão da saúde estar muito ligada à vertente hospitalar. A bata branca, pela sua figura tradicional e cultural, transmite um sentimento de profissionalismo associado à figura de quem a veste.

Segundo lugar: é um erro omitir da criança o verdadeiro nome do papel profissional, mesmo que isso pareça difícil para a criança compreender. Se a criança for habituada ao nome da profissão, mais facilmente aprenderá o termo correto, sem que acresça a associação muito estigmatizada de que ir ao psicólogo é sinal que “se está maluco”. Portanto, é fundamental explicar à criança que se trata de um psicólogo(a), o nome do profissional e deixar as questões para a criança colocar diretamente com o próprio, ainda assim, o adulto tem uma função indispensável nesse processo.

Terceiro lugar: Começar por dizer à criança que muitas vezes, tal como ela existe outros meninos e meninas que podem ter problemas. Há crianças que estão sempre metidas em lutas e conflitos, por vezes para essas é difícil partilhar as suas coisas. Há crianças que se sentem muito envergonhadas quando fazem algo de errado e deixam os adultos tristes ou chateados. Há crianças que perante outras, se sentem mal, envergonhadas e triste, por vezes esses meninos e meninas estão preocupados com alguma coisa importante.

Quando as crianças fazem este tipo de coisas por vezes é sinal que precisam de alguma ajuda, pois têm um problema que não sabem resolver sozinhas.

Deve-se esclarecer junto da criança, o que é ter um problemaTer um problema significa ter uma coisa que nos preocupa e nos faz sentir mal. Às vezes os problemas fazem-nos querer chorar, bater nos outros meninos e meninas, gritar, gritar muito com os outros! Mas às vezes também as crianças querem ficar sozinhas.

Para a criança é difícil deixar de ter este tipo de preocupações, pois não sabem o que fazer, sentem-se confusos e frustrados por não conseguirem identificar o que sentem. É natural a criança, manifestar dificuldade em utilizar palavras ou expressões que definam com exatidão as emoções que estão a sentir. Tudo aquilo que fazem, parece-lhes contribuir para aumentar e não para diminuir a sua raiva, angústia ou tristeza. Em consequência disso, a sua cólera aumenta em relação aos que estão ao seu redor, pois não conseguem justificar/definir como tudo começou e o que devem fazer para ficarem mais calmas. É neste momento que as crianças precisam da ajuda.

Quero deixar claro que momentos de birra ou fúria devem ser bem analisados em relação ao contexto e à intensidade com que ocorrem, por isso é necessário a existência de bom senso. Existem muitos comportamentos típicos ao longo do desenvolvimento de uma criança, no entanto cada criança é única logo, alguns comportamentos pode ocorrer em momentos diferentes sendo resultado de uma mesma situação.

Por isso é necessário ter em conta, às vezes a mãe ou o pai podem ajudar sem que haja necessidade de uma intervenção especializada. O educador/professor também pode ter uma contribuição eficaz, contudo, por vezes as crianças precisam de uma ajuda especial. Essa ajuda especial pode ser dada pelo(a) psicólogo(a) e é essa informação que deve ser passada à criança.

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Quarto lugar: É fundamental explicar de uma forma breve e clara o que um(a) psicólogo(a) faz. A forma mais sensata é dizer à criança que o(a) psicólogo(a) ajuda as crianças a pensar sobre as suas preocupações e sentimentos, ou seja aquelas coisas que fazem as crianças ter problemas e sentirem-se mal. Depois de conversarem e/ou brincarem juntos, as crianças sentem-se muito melhor!

Muita atenção para um aspeto – dizer á criança que o(a) psicólogo(a) vai brincar com ela, sem se saber muito bem se isso vai ou não acontecer na primeira consulta, pode fazer com que a criança ganhe maior resistência e receio. Muitas crianças gostam de brincar e, essa é também uma das técnicas primordiais utilizadas pelo(a) psicólogo(a) para chegar às representações mentais e emoções das crianças contudo, pela sua idade ou maturidade psicológica, pode não existir confiança ou conforto suficiente por parte da criança para o fazer no primeiro momento que estiver com o(a) psicólogo(a), uma vez que nesta fase para si, é apenas uma pessoa estranha que está ali consigo na sala. Afinal de contas, passamos a maior parte do tempo a ensinar às nossas crianças para não falarem, brincarem ou aceitarem nada de pessoas que não conheçam, muito menos sozinhas numa sala que desconhecem!

O melhor a fazer é transmitir à criança a ideia de que o(a) psicólogo(a) é uma pessoa simpática e que estará disponível para responder a todas as perguntas que esta quiser sobre o seu trabalho. Não se preocupe, pois o(a) psicólogo(a) será competente o suficiente para estabelecer o primeiro contato com a criança.

Se os pais funcionarem em primeiro lugar como facilitadores deste primeiro contato, tornar-se-á menos stressante para a família no seu todo.

Em contraparte, poder-se-á tornar muito desgastante para os pais e para a própria criança cada vez que tiver de se deslocar para uma consulta.

Quinto lugar: Temos muita tentação de informar de imediato a criança que esta irá estar com o(a) psicólogo(a) determinado tempo durante a semana ou mês. Cada caso é um caso, e por isso não se deve prever uma situação sem antes ter uma perceção clara e bem definida da razão que leva os pais a pedirem ajuda especializada. Por outro lado, só depois da recolha de todos os dados necessários por parte do(a) psicólogo(a) é possível desenvolver um plano terapêutico de intervenção e só nesse momento é definida a periocidade. Neste sentido, antes de informar a criança de quantas vezes ela terá que se deslocar, informe a criança que ela poderá estar mais do que uma vez com o(a) psicólogo(a) até ela se sentir melhor.

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O processo terapêutico é sempre confidencial.

Sexto lugar: O processo terapêutico é sempre confidencial, mesmo que se trate de uma criança. Isto quer dizer que aquilo que a criança partilha com o(a) psicólogo(a), fica em segredo e não deve ser passado diretamente aos pais. Os pais devem estar cientes deste aspeto, pois a criança irá ser informada sobre os seus direitos pelo(a) psicólogo(a). Só assim é possível estabelecer uma relação de confiança com a criança. Obviamente, o(a) psicólogo(a) informará os pais de alguns conteúdos generalistas sobre a consulta, se a criança esteve mais agitada do que o normal, se demonstrou resistência a permanecer no espaço por exemplo. A confidencialidade só poderá ser quebrada em casos muito particulares e que isso justifique a proteção e superior interesse da criança. Caso contrário é um direito que a criança tem e que está contemplado no código deontológico da profissão que pode aceder aqui.

As crianças podem no entanto partilhar com os pais ou com outros adultos o que conversaram com o(a) psicólogo(a), mas não devem ser pressionadas a tal, pois isso pode tornar-se muito stressante. Por vezes o fato das crianças ficarem muito agitadas/ansiosas quando têm consulta com o(a) psicólogo(a) não se prende com esse momento em particular, mas pelo momento que teima em vir a seguir…”então o que falaram hoje”, “disseste à psicóloga que te portaste mal na escola?”. A criança não quer desiludir os pais, mas por outro lado também não quer partilhar o que conversou na consulta, pois é um momento especial e ao partilha-lo deixa de “perder o seu encanto”. Para a criança esta ambivalência de sentimentos pode ser muito stressante e provocar grandes momentos de ansiedade.

É natural que todos os pais queiram saber o que se passou durante a consulta com o(a) psicólogo(a).

Sendo um momento único com a criança, os pais sentem-se inconscientemente angustiados por recearem que a criança possa dizer algo que ouviu ou sentiu em situação particular com a família. Por outro lado, é um sentimento de perca de controlo que os pais têm sobre os filhos.

Sétimo lugar: Saber quando o processo termina é muito importante, mas por vezes não é possível traçar uma data específica, pois ela depende de diversos fatores.

Um dos fatores começa com o motivo da consulta, isto é, qual o motivo que leva os pais a procurar ajuda especializada para ultrapassar um problema. Nem sempre a intervenção é feita diretamente com a criança, por vezes é necessário fazer um trabalho de ajuste com os pais, dando-lhes ferramentas que possam utilizar, tornando-os mais capacitados de modo a atingir o sucesso que pretendem.

Em outras situações, a intervenção pode passar por um trabalho conjunto e colaborativo entre o(a) psicólogo(a), os pais e a escolas/educadores de modo a ajudar a criança a superar os obstáculos. O(a) psicólogo pode desenvolver o seu trabalho com os pais e, estabelecer em paralelo uma relação de ajuda com o(a) professor(a)/o(a) educador(a).

Em casos específicos, a intervenção terapêutica ocorre diretamente entre o(a) psicólogo(a) e a criança, mas nunca é um ato totalmente isolado, pois a cooperação com os pais é fundamental. A criança, tal como o adulto, deve sentir-se apoiada pelas pessoas mais importantes para si. Se os pais estiverem em desacordo ou se desvalorizarem o trabalho desenvolvido pelo(a) psicólogo(a) é difícil que a criança se sinta motivada.

Para o desenvolvimento de um bom trabalho terapêutico com a criança, é indispensável traçar objetivos concretos a atingir e informar os pais sobre eles. Importa deixar claro que um plano terapêutico pode ser reajustado ao longo do tempo para melhor corresponder aos desafios da criança. Não nos podemos esquecer que a criança ainda está em fase de crescimento, neste sentido o plano deve prever uma dinâmica ajustada às suas necessidades.

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