Estilos de Amor e o Amor Tóxico: Aprenda a Distingui-los

Apenas no século XX  e num olhar pela vertente da psicologia se deram os primeiros estudos sobre o fenómeno do amor. No entanto, desde então que se tem vindo a formar novas teorias sobre o que é o amor, como surge e que processos psicológicos e emocionais estão envolvidos nesta complexa rede entre a razão e o coração.

O que é isto de amor ??

Os vários estudos têm investido na compreensão dos fatores de satisfação e insatisfação no relacionamento entre duas pessoas e consequentemente, quais os fatores que influenciam diretamente essa relação. Aparentemente, o AMOR é algo tão complexo e diversificado, por vezes tão subjetivo, que continua a manter-se as inconsistências teóricas.

Segundo Sternberg (1997) as primeiras grandes teorias no campo da psicologia que explicam o que é o amor, assentam numa perspetiva psicanalítiva e humanista, falamos de Sigmund Freud e Theodor Reik.

Apenas por curiosidade, para Freud (esse grande dinossauro psicanalista..) o amor só era amor quando fruto do envolvimento físico e sexual entre duas pessoas. Tendo esta ideia como base de sustentação da construção do processo do amor, Freud descrevia que o amor é escolhido pela observação que uma pessoa  faz e sobre aquilo que lhe falta nele próprio. Terá ele até uma certa verdade no meio de tanta analise psicanalítica. Mas as ideias continuam…

Reik por sua vez tinha uma ideia diferente de Freud, o amor seria então essa motivação apaixonada pela personalidade do outro, e não meramente o tal desejo físico e sexual pela pessoa  como abordava Freud.

Outras teorias foram aparecendo até terem chegado ao facto de se questionar:

Bom, talvez o AMAR ALGUÉM e GOSTAR de ALGUÉM sejam coisas completamente diferentes, será possível ?

Após estas teorias, outras foram surgindo com o intuito de desmistificar a diferença entre o amor e o gostar. Em 1970, Rubin carateriza o amor como uma atitude que se tem para com outra pessoa, tendo por base o sentir, o pensar e o comportar-se para com ela. A ideia de Rubin veio em certa parte, revolucionar o olhar critico sobre o fenómeno do amor, proporcionando outras investigações que se acabaram por debruçar sobre A Teoria dos Estilos do Amor.

A Teoria dos Estilos do Amor, é construída com base na premissa de que o amor não é único e que este pode ocorrer de diversos estilos diferentes, tendo em conta a diversidade humana das relações.

Para esta investigação Lee, realizou um conjunto de entrevistas com pessoas heterosexuais e homosexuais que vieram posteriormente dar razão à Teoria dos Estilos. Segundo Lee existe um conjunto de estilos primários que, depois de misturados originam novos estilos do amor. Uma espécie de palete de cores primárias que depois de misturadas entre si, dão lugar a novos tons e que podem incrivelmente fazer a diferença num quadro.

Assim sendo, segundo Lee os três estilos primários do amor seriam Eros, Ludus e Storge:

  • Eros –  Ligado à componente física, a atração inevitável pelo corpo do outro, ligado à pulsão rápida e intensa da relação.

 

  • Ludus – Carateriza o estilo de amor desapegado e sem compromisso, bem como a visão de múltiplos amores (parceiros) ao mesmo tempo.

 

  • Storge – Relacionado com a vertente da amizade, o amor surge após o conhecimento do outro de forma integra antes de qualquer contato de cariz sexual. A relação é primeiro que tudo, sentida como uma amizade especial. Em Storge a esfera emocional está em primeiro plano.

Após a teoria de Lee, vários autores tentaram testa-la através de múltiplas investigações.  Contudo, essas investigações não foram esclarecedoras de uma “cientificidade” da teoria proposta, continuando por clarificar alguns componentes e mantendo-se assim a busca ativa pela verdade absoluta!

Mantém-se no entanto a dúvida, na verdade, o que é o Amor?

Há investigadores que descrevem-no tendo em conta a atitude que se tem para com o outro. Outros descrevem o amor, como algo que faz parte de si, por exemplo o amor a um filho. Uns definem o amor como uma forma simples de gostar, outros  caraterizam-o como a versão apaixonada de uma amizade que se constrói ao longo do tempo (amizade colorida ?)

 

Quem nos ensinou a amar? Será que existe um cromossoma do Amor?

A complexidade do fenómeno do amor, continua a apaixonar os investigadores. Em 2007 já se acreditava que o amor era o resultado de muitos outros fatores como a experiência de socialização, da cultura, das crenças e dos valores podendo por isso existirem múltiplas variantes do amor.

Quando o amor se torna Tóxico, será que também é amor ?

O Amor Tóxico ou patológico é o contrário do amor saudável, do amor que transmite segurança, tranquilidade, bem-estar, satisfação, alegria e uma grande vontade de viver. Considera-se amor tóxico, o amor que “atrapalha” a rotina, e é gerido única e exclusivamente em prol da pessoa que se ama, causando mal-estar, irritabilidade e sensação de controlo excessivo ou de falta de liberdade.

Alguns dos sintomas patológicos passam por:

  • Sintomas de ansiedade , Irritabilidade, impulsividade
  • Sensação de angústia e frustração
  • Distanciamento afetivo da própria pessoa ou da pessoa amada
  • Poderá ocorrer também, preocupação excessiva com o(a) parceiro(a)
  • Abandono de interesses e atividades particularmente prazerosas
  • Falta de atitude/passividade para resolução de problemas pessoais ou familiares
  • Controlo excessivo (emails, telefonemas, mensagens, controlo de redes sociais…)

 

“O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse uma droga, só que nesse caso, a droga não é um produto químico ou álcool, é o parceiro ou parceira.”

Este amor que funciona como uma droga, obriga a que o cérebro  responda como se realmente se trata-se uma obsessão difícil de gerir e alimentar.

Em muitos casos, o amor patológico poder levar a que a pessoa perca o controlo sobre si mesmo e ocorram acontecimentos traumáticos como agressões emocionais e físicas, stalking (perseguições) e até mesmo crimes como homicídios e suicídios. O amor torna-se altamente tóxico e destrutivo na vida do casal e em particular na vida da própria pessoa.

É importante que exista uma boa comunicação entre as partes, que se possa abordar com clareza as dificuldades que se sente, as expectativas que se tem da relação e até se necessário definir algumas “regras de casal”.

O equilíbrio é a base do sucesso de uma relação.

FC

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