Já Ouviu Falar de Pistantrofobia? O Medo de Confiar nos Outros

Todos nos movemos em velocidades diferentes quando se trata de depositar a nossa confiança noutra pessoa, especialmente se se tratar de um relacionamento amoroso, mas não só.

Para alguns, depositar confiança nas outras pessoas é relativamente rápido e simples. Porém para outras, pode levar muito tempo até que sejam criadas condições de segurança e confiança na relação, suficientes para permitir que se abra espaço para confiar. No entanto, para um grupo particular de pessoas, poder confiar nos outros pode parecer uma tarefa praticamente impossível.

O que é Pistantrofobia?


A pistantrofobia é uma fobia que consiste num medo exagerado para confiar nas outras pessoas. A pessoa acredita que não pode confiar no outro, não porque essa pessoa de facto lhe fez algo de errado, mas sim, derivado a experiências negativas no passado que enviesam a percepção de confiança no presente.

Uma fobia é um tipo de perturbação de ansiedade que apresenta como caraterísticas o medo persistente, irracional e excessivo sobre uma pessoa, atividade, situação, animal ou objeto.

Frequentemente, não há ameaça ou perigo real, mas para evitar qualquer ansiedade e angústia, alguém com pistantrofobia evitará a pessoa, o objeto ou a atividade que desencadeia essas sensações a todo o custo.

As fobias, independentemente do tipo, podem atrapalhar as rotinas diárias, prejudicar os relacionamentos, limitar a capacidade de trabalhar e reduzir a auto-estima.

Não há muita pesquisa especificamente sobre pistantrofobia. Em termos clínicos, é considerada uma fobia específica: uma fobia única relacionada a uma situação ou contexto específico

As fobias específicas são bastante comuns durante a vida, estima-se que uma percentagem significa em todo o mundo possa vir a desenvolver e a sofrer com elas.

“A pistantrofobia é o medo de confiar nos outros e geralmente é o resultado de uma decepção séria ou um final doloroso para um relacionamento anterior” Terapeuta de casal e familiar Dana McNeil

Como resultado do trauma, McNeil refere que a pessoa tem medo de se magoar novamente e evita estar noutro relacionamento como forma de se proteger contra futuras experiências dolorosas semelhantes. Deixa por isso de confiar em novas pessoas, principalmente nos relacionamos amorosos, pelo trauma existente de más experiências no passado.

É importante compreender o quanto esta situação prejudica a vida de uma pessoa, pois ao evitar relacionamentos, também acaba impedindo-se de experimentar aspectos positivos que advêm dos nossos relacionamentos com outras pessoas quer ao nível social, profissional ou familiar.

Para alguém com este tipo de fobia é comum ver os seguintes sintomas:

  • Evitar conversas ou interações profundas com uma pessoa que possa ser um potencial interesse amoroso;
  • A pessoa passa a evitar alguns encontros ou retira-se a meio dando uma desculpa;
  • Experiencia ansiedade ou observa-se uma aparência de querer fugir ou sair de conversas que estão a fazê-la sentir-se desconfortável, especialmente quando se relacionam com maior intimidade, podendo ser amigos ou outros familiares;
  • Hipervigilancia constante no que toca ao relacionamento com outras pessoas, o sentimento de medo e receio sobre os objetivos reais daquele convívio deixam a pessoa num estado de desconforto intenso e falta de confiança no outro.

Qual a razão que leva ao aparecimento de pistantrofobia?


Como outras fobias, a pistantrofobia geralmente é desencadeada por uma pessoa ou um evento.

“Muitas pessoas tiveram uma experiência negativa com um relacionamento passado, onde se sentem extremamente magoadas, traídas ou rejeitadas” Dra. Gail Saltz, professora associada de psiquiatria da Escola de Medicina Weill-Cornell do Hospital Presbiteriano de NY.

Como resultado, as pessoas passam a viver aterrorizadas com uma experiência semelhante o que origina uma constante tentativa para evitar todos os relacionamentos.

Existe ainda um grupo de pessoas que embora possam estar referenciadas para esta fobia específica, podem não ter tido experiências negativas nos seus relacionamentos anteriores (trauma). Ainda assim, manifestam altos níveis de ansiedade, baixa auto-estima e um medo de que, se alguém os conhecer melhor, existe uma forte probabilidade de serem rejeitados ou traídos, por isso preferem evitar relacionamos.

Por fim, os sentimentos que ocorrem por causa de uma má experiência ou relacionamento traumático resultam em pensamentos intrusivos causando um desgaste emocional elevado, esses pensamentos podem ser de rejeição, de traição, de mágoa, de tristeza ou até mesmo de raiva.

Existe forma de superar esta fobia?

A terapia, em particular, pode ajudar a tratar todos os tipos de fobias. As terapias podem variar de terapia cognitivo-comportamental (TCC), como prevenção de exposição e resposta, ou por exemplo psicoterapia psicodinâmica.

Tal como em pessoas que têm medo de aranhas, alturas ou pontes, o objetivo com este tipo de fobia passa por trabalhar e desenvolver lentamente a capacidade de exposição e tolerância ao estímulo que tanto as pessoas receiam.

Uma das etapas iniciais do processo passa pela concentração na modificação do comportamento como uma fórmula de reconstituição da maneira como uma pessoa vê ou pensa sobre uma situação ou objeto específico associado ao medo ou catástrofe. Neste caso, a pessoa será orientada para começar por pequenos passos, os chamados baby-steps, onde lhe é pedido para visualizar como seria estar num relacionamento icentivando-a a conversar sobre a experiência com o terapeuta.

Ao fazer este treinamento, o terapeuta pode ajudar o cliente a desenvolver competências (skills) de enfrentamento ou estratégias de se acalmar quando a ansiedade ou o medo entram em ação (coping).

Outros métodos de tratamento de uma fobia podem incluir medicamentos se existir uma comorbilidade com outras condições de saúde mental, como ansiedade ou depressão.

Para mais informações sobre como pode obter ajuda clique no botão abaixo:

Retirado e adaptado de Understanding Pistanthrophobia, or the Fear of Trusting People

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