Todos nós temos gatilhos emocionais como situações, palavras ou comportamentos que despertam reações intensas e muitas vezes desproporcionais. Embora não seja possível evitar todos os gatilhos, é totalmente possível transformar a forma como reagimos a eles. Este trabalho não se faz com pressão, mas com consciência e gentileza.

Chamamos de ‘Gatilhos Emocionais’ a tudo aquilo (pessoas, situações, objetos…) que nos provoca uma resposta emocional imediata e intensa. Identificamos como gatilhos, porque são eles que fazem o “click” para que a nossa reação ocorra.

Os gatilhos emocionais podem ser desencadeados por situações variadas, das mais simples às mais complexas, pois eles estão intimamente dependentes do tipo de crenças, valores e experiências anteriores que a pessoa teve.

Muitas vezes podemos sentir grande ansiedade quando nos aproximamos de um determinado local, ou sentir um grande desconforto quando estamos com determinadas pessoas. Nem sempre os gatilhos emocionais são facilmente identificados, mas são, na verdade, mais comuns do que imaginamos.

Exemplo:
“Imagina que estás num trabalho e tens um colega que faz alguma coisa que não gostas, porque vai contra um valor ou uma crença tua. O teu colega faz essa coisa uma vez e tu ficas irritado. Depois, faz novamente e repetindo-a várias vezes. Vai chegar a um ponto em que esse colega ou a reação desse colega se vai tornar num gatilho emocional. E quando isso acontecer, não vais ter nenhuma margem racional para tentar ultrapassar essa situação, porque vais explodir, através de reações externas ou internas.” (retirado de Treino de Inteligência Emocional)

Diagrama de Resposta Emocional proposto por Gross JJ Thompson, 2007.

Todos temos gatilhos emocionais, pois, sendo uma resposta emocional automática é normal que ocorra, contudo, a intensidade e a razão da sua ocorrência podem, de fato, variar bastante.

Consideramos do ponto de vista da análise psicológica que os gatilhos são preocupantes, quando passam a estar muito presentes na nossa vida e afetam significativamente a nossa rotina e as nossas relações. Os gatilhos podem transformar-se naquilo a que identificamos como situações fóbicas e que nos causam stress, medo e ansiedade em larga escala.

Se és daquelas pessoas que facilmente “explodem” ou têm alguma dificuldade em regular as suas emoções, talvez seja importante refletir sobre a causa desse gatilho. Sem querermos, esses gatilhos acabam por nos levar a ter reações, por vezes, exageradas e que podem provocar também elas reações catastróficas no nosso seio familiar ou de amigos. Os gatilhos emocionais também estão muito presentes nas perturbações alimentares, principalmente, no desencadeamento da resposta automática de ingestão compulsiva de alimentos.

A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) é bastante recomendada e é a que uso para trabalhar nas minhas sessões, pois apresenta resultados eficazes na identificação e aprendizagem de como lidar com os gatilhos. Na terapia as pessoas aprendem a identificar o que as incomoda, o que está subjacente a esse incómodo, aprendem a reconhecer os sinais e sintomas desse comportamento, de modo a antecipar a situação e desta forma, diminuir a resposta emocional.

Como atua a TCC?

Fase 1 – Identificar o Gatilho: Identifica a pessoa, situação ou ação que faz o “click” de ativação do gatilho (pensamento):

A primeira etapa é identificar o gatilho. Observa o que aconteceu naqueles segundos antes da tua reação: o que ouviste, como interpretaste, que emoção apareceu e que sensação surgiu no corpo. Quando nomeamos a emoção, ganhamos espaço interno para lidar com ela de forma mais clara.

Antes de transformar um gatilho, é preciso reconhecê-lo. Observa:

  • O que aconteceu antes da tua reação?
  • Que emoção surgiu?
  • Onde sentiste no corpo?

Este processo ativa o córtex pré-frontal e reduz a intensidade da emoção, permitindo respostas mais reguladas.

Fase 2 – Resposta Emocional: Reconhecer as emoções desencadeadas pelo gatilho (será raiva? Será medo? Será nojo? Será tristeza?…) (comportamento):

De seguida, trabalha os pensamentos automáticos. Os gatilhos emocionais ativam narrativas antigas, muitas vezes exageradas ou incompletas. Pergunta a ti mesma: “Há outra forma de olhar para isto?” ou “Que evidências tenho para este pensamento?”. Esta reestruturação ajuda a reduzir a intensidade da resposta emocional.

Depois de reconhecer o gatilho, questiona os pensamentos automáticos:

  • “O que estou a assumir como verdade?”
  • “Há outras interpretações possíveis?”
  • “Se fosse outra pessoa nesta situação, eu veria da mesma forma?”

Esta técnica ajuda a quebrar padrões de interpretação que reforçam o gatilho emocional.

Fase 3 – Causa/Razão: Compreender o que está por trás desta emoção? Baixa autoestima? Inveja? Receio em perder algo ou alguém? Medo? (resposta):

Por fim, constrói respostas alternativas. Reagir de forma diferente é um treino, não um reflexo. Pode ser respirar fundo, fazer uma pequena pausa antes de responder ou repetir uma frase que te recentra. Quanto mais praticas, mais o teu cérebro aprende que existe uma forma segura e equilibrada de lidar com aquela situação.

Gatilhos emocionais não desaparecem com força de vontade, substituem-se com prática. Define uma “resposta desejada” para quando o gatilho aparece:

  • Respirar fundo 5 vezes
  • Afastar momentaneamente da situação
  • Responder com uma frase neutra
  • Usar autocompaixão

Este treino cria novas rotas neuronais e reduz a reatividade ao longo do tempo.

Trabalhar os teus gatilhos emocionais é um processo profundo de autoconhecimento e também um ato de autocuidado. Não se trata de “controlar” emoções, mas de te relacionares com elas de forma mais consciente, madura e compassiva.

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